Alfinete nos olhos! Observar pra quê?

Alfinete nos olhos! Observar pra quê?
A intuição me parece mais lúcida que o raciocínio parco dessa gente Reality... Para outros, é necessário criticizar e aqui é o lugar!

Blog do Abuh

Destinado a refletir, a liberar os sentimentos críticos, falar sobre a vida e intercambiar pensamentos. Jardim repleto de flores e frutos, comestíveis e outros, indigeríveis. Depende do seu gosto, ou desgosto!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Aspirina pra curar a Celeuma.


Existem certos tratamentos que de contemporâneos, mais lembram a Era Medieval. Naqueles tempos (que naturalmente não vivi! Será?) as relações humanas, sim, as interpessoais se davam de forma a surrupiar dos menos espertos a chance de um lugar ao Sol. Rasteiras, obeliscos em desagrado, disse-me-disse, venenos anti-corpo-fechado e tudo o que há de mais arretado nesse mundo que até Deus duvida.

Pois nessa vida tão moderna, certos meandros bélicos ainda valem, decerto que mais tecnológicos, porém de espíritos bem démodé, old-fashioned, fora de moda. Mas o que se inventa de novo aqui é falta de criatividade e sem medo de maniqueísmos, digo a q ti que se defenda. Não, não é necessário correr para um curso de defesa pessoal, a tática aqui é coletiva. Claro que não é daquele “ecologismo” pueril tipo abraça-árvores, mas é de uma ideologia que de tão quixotesca é praticamente folhetim.

Mas como traça jamais rejeita roupa velha, sinto que há necessidade de uma mobilização do tipo a quem interessar possa. Que tal sermos gentis, competentes, sensatos, tranqüilos e acima de tudo, honestos? Sim, saiba qual a hora da briga e que ela seja com as mesmas armas e com as mesmas chances de defesa e de ataque, e quando falo isso digo: ao cair, espere levantar! Assim, teremos nos lugares desse tabuleiro de xadrez as peças certas nas casas certas. Enquanto isso não ocorre (e será que ocorrerá?), vou tomando Aspirinas para curar momentaneamente essa celeuma.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Mexericos e La Conga.




O que será que quer dizer: morto! A noção de sem vida é para mim um tanto quanto confusa. O que vem a ser "estar inerte"? Estagnado, sem sinais vitais? Na verdade, o que é vital? Hum... Deixe-me pensar! Vitalizar significa sob certa óptica, construir, revitalizar, significa sob qualquer óptica, dar nova “vida” a algo que perdeu essa. Mais como? Isso é renascer, e mesmo sem querer transparecer saio do iluminismo pagão e caio na sacra-santa fé.

Mas que lamúrios advém que discuto isso contigo agora? É que por hora penso que as contradições são xifópagas, as similitudes e as não similitudes parecem seres no espelho, uma imagem e outra, imaginada. E por mais que não seja magnetizada, essa noção de paradoxo entre vida e morte, entre certo e errado, não são mero maniqueísmo ou extremismo borra-botas.

Na verdade, nosso discurso sempre é assim: veneno e antídoto. Sim, podemos matar certa quimera e assim, como passe de mágica, fazê-lo renascer. Ou seja, renascer nesse caso não é sintoma espiritista. Saiba que tudo no mundo pode morrer ou nascer, depende de quem queira, quando queira e pra quê queira. Ah está bem! Então, acho que é hora de começarmos a reinventar, pois a mesmice comprou terreno-latifúndio por aqui, e a novidade não veio nesse caso da beira da praia.

Uma pena, pois poderíamos imaginar que para sassaricar é preciso inovar. Salvemos nossa memória em memória RAM e comecemos a reconstruir do zero, recriando mexericos, soldando porcarias com massa e transpondo o que antes era lixo em mera erudição. Como fazer? Muito simples. Faça tudo igual, a própria consciência da contemporaneidade se incumbirá do resto.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Cumprir a tarefa comprida.


Affe!!! Tem certas coisas que não dá mesmo vontade de fazer. Às vezes é melhor pedir, implorar ou até mesmo desistir, resistir à falta de vontade é praticamente impossível e nesses casos, a importância decide: DESISTA!

Mas o que não é feito de tempo nessa vida? Temos que dar início (talvez o mais difícil) e imbuir... Labutar, “correr-atrás”, assimilar que finalizar pode ser em muitos casos: ÊXITO. Não vale à pena esperar, é preciso fazer logo, por mais que dificuldades sejam equipamentos de fábrica e com custo adicional, irrefutáveis. Delongas, milongas, no final, dá vontade de resistir e fingir que aquilo não existiu. Então, seja perseverante e objetive aquilo que precisa ou quer, não adianta esperar, torcer, rezar. Tem que ser você, aquilo a fazer é parte integrante de sua existência. Então comece logo, quanto mais cedo começar logo irar cumprir a tarefa comprida. Seja ela: mudar de corte de cabelo, perder a pança adquirida, mudar de casa, concorrer a um concurso, finalizar a decoração da casa, aprender um novo idioma, arrumar um novo amigo ou uma amiga, encomendar um filho ou filha, matar a humanidade com uma pinça, se enforcar em um pé de coentro, encontrar Osama Bin Laden, formar na faculdade, arrumar o guarda-roupa, mudar de cor de pele (alusão ao Michael antes Jackson) e... Blá blá blá... blá blá blá... Pepepê caixa de fósforos!

Em tempo antes que mude desse planeta: Siga em frente, ande rente, nunca tente, sempre consiga!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Tão parnasiano labor!


Laborar, trabalhar, suar (às vezes), esforçar. Isso não é sinônimo de algo ruim, é sinônimo de que pra que isso exista você é fundamental. E mesmo que olhes de cá aquilo lá ocorrer, sua presença é a metamorfose e suas possibilidades, sua mimese alquímica, fertilidade signatária de sua única existência.

E tudo o que fazemos é labor, inclusive o lazer, o ócio e amar. Temos que empreender esforços, mediar contratempos e exigir sucesso, sempre tudo a contento, e como tudo na vida, a concorrência, a exigência, a eficiência e a opulência são inescapáveis. Esforços, preparação, hora certa, criatividades e senso de pertencimento são elementos fundamentais deste labor. E nisso, o amor não escapa, tudo nele está presente, com um simples detalhe diferenciador: sua beleza parnasiana.

Amar não é apenas quando não dá mais pra disfarçar. É ainda com isso, termos que todos os dias, “religiosamente” laborar, afinal tal negócio não deve falir. E como fábrica que sem férias coletivas não descansa, o vapor é incessante. Tão estafante quanto prazeroso é tal atividade, que assina carteira, cobra imposto, tem suas atividades específicas controladas por especialistas e ainda, possui desemprego.

Hum, que perdoem aqueles da mais valia, mas não vendendo sua força de trabalho em dias de hoje, corres o risco de um empreendimento filantrópico, e pra não se tornar misantropia, recomenda-se batalhar por um lugar ao Sol. E aqui me remeto até ao amor próprio, afinal se não cuidarem de ti, quem irá?

Por fim, pra não me achares Getulista em tempos (ops) de esquisitices, aqui se labora de todo o jeito. Várias formas de amar são possíveis e legítimas, intangíveis, inovadoras ou rupestres. Se não concordas pense rápido: Se amar é laborar, o digno nesse caso é ter competência e vontade de desafiar. O problema é que não há férias, pois solidão pode ser pra ti, uma aposentadoria sem remuneração.

Está na súmula!


Encarar discutir sem agredir é muitas vezes tarefa controversa. O que fazer se suas abstenção moral surpreende a quem é subtraído de sua superlativa verdade? Acho que deter nesses casos é convencer, jamais tentar coexistir, a lenda aqui não “sub-existe”. E pra quê contrariar os ditames já postulados pelo tempo? A preguiça impera e a imprecisão ao indagar nunca aparece, oras, não veio aqui pra questionar?

Ah, sim! Você não vive, apenas sobrevive. É amorfo, levado pelos que querem te levar, deixado por quem querem te deixar e modificado por quem quer e até mesmo por quem não quer te modificar. Lê-se ali, acredita, e se em outro lugar diz o contrário, também acredita. Pra que questionar? E as verdades inescapáveis são muito pouco confundíveis. Tão sensatas que para a existência humana, só resta aproveitar todas as verdades, tudo aqui é inescapável.

Acho que está na hora de modificar. O avesso precisa aparecer pra compreendermos os lados, a oposição deve ser vista e analisada, além de claro, oportunizada. Esqueçamos a idéia de que as verdades são intransponíveis, pois aqui nessa vida, nas anteriores e nas que quiçá virão, não são como partidas de futebol, onde o que é o Juiz escreve em sua súmula é a verdade dos fatos. Será?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Notas de Certa Quimera.


Sintonias... Simpatias. Sinestesia. Tudo parece ter seu lugar, alocado como gavetas numa estante, onde casa qual tem o seu exato lugar de prostrar. Nuances não são meros enredos querendo dizer algo, o que é enigmático, pouco claro, também tem nisso um valor deveras objetivo.

Pense, não falo de destino, mas digo em caminhos. Será que temos vários a seguir? Ou será que tudo o que fazemos parece abrir um caminho, onde algumas vezes sair ou coibir a sua existência é desnecessária ou até IMPOSSÍVEL. Ora, sem ser malthusiano às avessas, as possibilidades não são tão numerosas assim. Poderia você hoje se dar ao luxo de escolher? Quantas possibilidades sua vida lhe proporciona? Tem chances nesse exato momento de mudar totalmente o curso da vida? Até poderá mudar, mas necessitará de tempo. Oh! Tempo.

Claramente, a liberdade não está ai, nessas mil possibilidades, está na forma como lida com elas, tenha certeza. Ou se discorda, veja, agora, o que poderia fazer de novo. Não está tudo atrelado, tudo tem sentido, a não ser que faça algo que comprometa a sua tão querida SEGURANÇA. Seria louco? Então venda a sua casa e faça aquele Cruzeiro tão desejado, compre duas garrafas de vinho Cabernet dos mais caros e beba sozinho. Terá graça? Sentido? Futuro?

É, acho que viver não é tão simples, somos levados por uma correnteza de probabilidades, algumas, contáveis. Poucas chances têm de mudar, renovar, recriar, e se pensa nisso, quando esta surgir, faça! Senão, faça como alguém que planeja e almeja: OBSERVE. Verás que estamos ligados como corda de caranguejo, e tirar um nesse caso não é mudar e sim, desfalcar. Na tentativa de mudar, melhore, potencialize. Um toque aqui e outro ali, mas creia que seus passos são construtivos, e a solidez nesse mundo não é banalidade de quem pisa com segurança.

As chagas de uma operação mental



Vixe!!! Depois de algum tempo afastado da escrita (os dedos e a mente também tiram férias), volto a escrever devaneios, expurgar sentimentos e canalizar idéias. E nada mais constrangedor do que tirar das férias aqueles que há tempos não gozam de tão pouco sacrificioso benefício capitalista. Descansar é um verbo difícil de conjugar, pois na prática parece que falamos de abstrato e muito pouco, na verdade, se pode relaxar.

Aliás, relaxar até que é possível, só ocorrerá se você desligar a televisão para não se aborrecer com as famigeradas notícias do sub-mundo ao qual pertence, ignorar os altos preços inclusive da água mineral que por ora ingerirá. Ao seu redor, aquela multidão, barulho, confusões... Abstrair nesse caso é sumir, e como isso ainda não é bem imaterial da humanidade, o que lhe resta é se miscelanizar. Sim, de miscelânea! Misturar. E ai, tudo vira galhofa, que antes que se organize, a ressaca já avisou a quem é de direito.

Oh!!! E aquele calor na hora de dormir (made in Aquecimento Super Global), não há onde achar um lugar tranqüilo pra aproveitar a brisa, a não ser que goste de calor em seu cangote. E então, tudo se transforma em aventura, mas até dormir? Sim, calma, está de férias lembra? Hum... Não dá pra ligar ar-condicionado, haja vista que onde está o valor cobrado pelos KW, seu décimo terceiro do ano terá todo que escorrer pra pagar esse pequeno mimo. Então vá dar uma arejada, sentir ao menos o bom ar nas narinas. Mas e se for assaltado? As chances são imensas. Melhor ficar em casa. Abana ai!

Acho que é mais sensato voltar a trabalhar. Lá, o ar-condicionado quem paga é a empresa, a segurança do prédio também, o clima é mais formal, portanto não há algazarras, sua mesa é isolada, logo ninguém o incomodará, e no entremeio do nada-fazer e o que-fazer dá-se uma boa relaxada. Férias pra quê?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Âmago de um arqueiro.


Tem sufocações quem nem vômito conseguem retirar! São como espinhaços de peixes presos a uma garganta que não pode ser cortada, rasgada, descolada, absorta diante de presas famintas num inóspito e famigerado lugar. São gritos uníssonos que não podem jamais serem ouvidos, pois é tão seu, que nem mesmo eu, sendo você, posso perceber.

Digo-lhe isso em virtude de certas observações surgidas ao acaso, porém com destino certo tal qual flecha, sem curvas, sem interrupções, sem abnegações. A dor é única, porém o surto, dignificante. Nas mãos do arqueiro, o seu destino, a glória destemida daqueles que a ti apedrejam, e por mais que sussurros e lamúrios relampejem, nada mais te resta do que ceder, perecer ao que é indubitável, sagrado, fiel à sua cerne, carne que jamais putrefaz, aquilo que ordenam e que um dia, aqueles que seus olhos a isso cerram, sem direito nem a odor, jazem!

Mas por mais que tente, cercas não são feitas pra prender, apenas para nortear, marcar, sinalizar, não como nuvens, existem, mas não impedem, são susceptíveis e mesmo quando intangíveis, sucumbem à sagacidade daquele (a) que luta, amputa suas bases, como uma rasteira. E como aquele que possui apenas um olho, enxergas o que é apenas necessário, aniquila tudo o que não é imprescindível e torna apenas audível, o que para os outros é apenas observável. A eficiência é xifópaga à necessidade.

Mas se perguntas, afinal, do que falas? O que é tão necessário que tenha que ser intransponível e ao mesmo tempo, revolucionária? O que é tão imutável e concomitantemente, reveladora? O que pode ser tão fundamental como a própria existência? E te respondo, sem ar superior, mas com a certeza de que me compreenderás... Já imaginou opinar, ser aquilo seu e a ti repudiarem? Já cogitou a idéia de ser um em cem, dez em mil e cem em um milhão? O que faria se te perseguissem e te julgassem, abaixaria sua cabeça?

Não! Flecha jamais se curva, e se o alvo se aproxima e seguem na frente empecilhos, atravessa. Assim são certos valores humanos, incorrigíveis, inexeqüíveis, intangíveis. São condutas ordinárias que em situações ordinárias (aqui cabe dupla interpretação) se demonstram e são, pra nós, impossíveis à fuga. Eis aqui, o que podes julgar e defenderei, eis aqui o que deves olhar e te cegarei, eis aqui o que podes mudar e eu impedirei, eis aqui o que podes falar e eu calarei. Pra tudo há um preço, podes negociar, mas para a honra, o único valor de barganha é você fazer uma flecha aos meus olhos se curvar.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Reinvenção das Tradições a Olho Nu.


“Paz, carnaval, futebol, não mata, não engorda e não faz mal”. Tradições da cultura brasileira, inventadas a partir de miscigenações lusitanas, indígenas, africanas e com outras pitadas europeizadas, parecem não suportar a modernidade. O que seria tradicional, ou seja, na visão de alguns, antigo, torna-se quando falamos de gerações, invenção do passado.

Alguns traços parecem inabaláveis, o tempo não tira, não arreda um milímetro uma manifestação ou uma tradição popular do lugar. Mas há quem se surpreenda! Aqui esse ano no Carnaval baiano o Rei Momo será magro! Vixe! Aquele que detém a chave da festa e comanda a quantidade de confetes e serpentinas e que possui sorriso largo, pique pra pular apesar da pança e ainda, fôlego pra agüentar todos os dias da festa? Sim, esse ai mesmo!

Sempre, sempre, sempre... Este foi gordo! Poderia até amenizar hipocritamente e dizer gordinho, mas não, gordo mesmo! Mais de 120 kg de alegria desfilavam pelas ruas e avenidas, com sua coroa, cetro e capa de Rei, sua majestade obesa era aos nossos olhos, imutável. Nesse ano, poucos se inscreveram e os “astutos” organizadores decidiram convidar uma personalidade totalmente local para ocupar o posto, sem passar por concurso algum, à revelia do gosto dos jurados e do povo. Este, em sua infinita magreza adorou a idéia, talvez, umas das poucas chances de aparecer.

Por favor... Ala-la-ô! Ele poderia receber o convite de bom grado até, mas aceitar, achei severamente perigoso. Poderia ele optar elegantemente por concorrer com os outros, submeter-se ao gosto popular, mas não foi isso que ocorreu. A monarquia nunca foi tão absolutista! A questão é, que essa tradição mudou aos nossos estupefatos olhos. Inovar é maravilhoso, mas democracia pra isso é fundamental. E quando se trata de uma tradição popular isso é ainda mais importante. Só quero ver se ele vai suportar o reinado momesco... A seguir, cenas dos próximos momentos, que carnaval é essa folia baiana! Ah, e vê se tira esse olho gordo de cima do pobre Rei! Onde já se viu!?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Chuchu, pepino, melão e alface!



Quantas coisas... Quantas possibilidades! Poucas oportunidades e imensas novidades! Temos as chances, pois, essa vida, sim, a que estamos vivendo, não se multiplica, é apenas uma, e mesmo que reencarne, essa aqui é única. Chegamos sem saber porque e às vezes vamos ainda sem saber, mas valha me Deus, temos muito que testar por aqui.

E damos outrora, atenção àquele que ali, na sua frente curte cada segundo como se fosse o último, perdendo muito tempo azarando aquilo que devíamos nós também estar corroborando. Maluquecer, endoidecer, pecar por mais que seja difícil, sem isso não dá pra continuar. Não é cometer besteiras, arrasar o próximo e destruir coisas boas, mas arriscar, tentar diferente, inovar! Por que homem não “pode” usar saia? O buço da mulher é feio por quê? Por que não posso ficar dois dias sem dormir, e não comer dois quilos de chocolate se tenho vontade? Por que meus cabelos não podem ser grená e um lado ser mais curto que o outro?

Por que não posso andar pelado por ai e ainda, sorrir de sua queda, sabendo que não se machucou? Por que não devo nadar em alto mar e cair de pára-quedas com segurança, mas sem muito juízo? Por que não posso combinar verde com azul, amarrar uma pedra no pescoço e dizer que é belo, pois é natural? Por que não posso gostar de mulher, homem, cachorro e sagüi, e ainda sim, achar que tenho certeza do que gosto? Por que não consigo passar perto de ti sem receber suas bélicas críticas? Por que?

Ah, mundo chatinho, repleto de gente correta demais pra julgar e errada nas suas discretas derrapadas, fingindo ser tudo saboroso quando é na verdade insosso, tal qual chuchu, pepino, melão e alface!

Xô!




Vixe Maria! Não pensava que aquecimento global aquecia tanto! Isso é mesmo verdade? Jurava que era conversa pra Inglês (USA) ver! Jurava que com o aquecimento global íamos gastar menos energia, pois, pra quê banho quente? Mas depois lembrei: e o ar condicionado? Minhas roupas secariam mais rapidamente, mas também, eu suaria mais e teria que lavar mais roupas, pois suor deixa a roupa “suja”, gastaria mais água...

Não teria que usar mais roupas de lã no inverno, mas em contrapartida teria que comprar sungas pra cada dia da semana, pois até uma camiseta com bermuda iriam para mim, serem sufocadores e pouco frescas! No natal, as árvores de natal não teriam sentido no norte do mundo, pois pinheiros seria apenas artigo da memória dos que um dia o viram, mas também, logo, os cactos de natal tomariam conta da decoração festiva.

Os sertanejos seriam logrados como exemplos. O que antes era liminar seria logo exemplo de força e de ancestralidade a ser seguida, até na Universidade seriam convidados para falar sobre “kit seca”. Os mares subiriam a níveis alarmantes, tornando as cidades litorâneas verdadeiras Veneza, e andaríamos de Gôndola, que não emitem gases pra causar esse aquecimento global.

Vem cá, me diga ai, não é meio louco isso? Aquecimento global então não é papo, é real? Nossa, Credo em Cruz... Crim-Deus-Pai! Esse Planeta está mesmo em agonia? Nosso hábito de poluir, gastar recursos naturais como se fosse simples a sua renovação, permitir o “desenvolvimento” e compactuar, isso é mesmo tão pernicioso assim? Caramba! Eu era um ser humano alheio a tudo isso e agora cai na real. Mas o que fazer? Mudar tais hábitos me parecem quase inalcançáveis. Não poluir, economizar, preservar, reciclar. Ah, XÔ coisa ruim! Vou aguardar os próximos capítulos, vou ali ligar o ventilador e tomar um suco, vou aguardar esse aquecimento global chegar!


Nota: A consciência muitas vezes nos indica que as obviedades são tão óbvias. Será? Mude agora ou perceberás quando abaixo de seus pés o chão não mais existir, e se fores de acreditar, o inferno segundo alguns fica logo ai, embaixo. Agora vou ali ver o jornal: Acabaram de descobrir uma colônia de pingüins recém-perdidos do Pólo Sul aqui na Caatinga.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Reunião de sintagmas: Vida!


Nem sempre aquilo que se julga ruim é na verdade, tão ruim assim. A fragilidade de um olhar de um único ponto é uma cegueira do todo. E ao nosso redor, certas vezes só parecem estar nossos problemas, indissolúveis, imensos e inescapáveis. Não visualizamos o outro, aquilo que muitas vezes é maior, ou seja, a nossa dor, nos impede de perceber o todo e perdemos a compreensão e o senso de ajuda.

Terrível vida daqueles que absortos diante de sua própria existência, esquecem que atrás de toda a sua embolia carnal estão à espera, seres que não possuem sua força, sua forma de resolver, sua mão amiga. E talvez seja esse o nosso papel: arrimo daqueles que mais precisam.

De forma sucinta, o que suscita a vida é ressuscitar ante nosso egoísmo e colaborar. Não a caridade por piedade, mas por compreensão. A vaidade pode transcender e até, nos perecerem imersos num mundo simplório e sem problemas, mas eles estão em ebulição por toda a parte e somos parte de tudo isso. Siga um conselho de Eleonor L. Dolan: "Para compreendermos o valor da âncora, necessitamos enfrentar uma tempestade”.

Não trata aqui de compreender o outro como sintagma da vida, mas como elemento constituinte, parte e não todo e que para o todo, precisamos de uma unidade de reflexões e ações. E para oferecer um serviço verdadeiro você deve adicionar algo que não pode ser comprado ou calculado com dinheiro, e isso é a sinceridade e integridade, o sentimento de que somos todos humanos, à revelia da dor e com o consentimento do amor.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

No escurinho do cinema... Ops, pipoca no lugar errado!

Aqui na Bahia, o sincretismo religioso parece não ter mais vergonha de mostrar sua face. Sim, pois católicos utilizam símbolos africanos enraizados por aqui para demonstrar sua fé Bizantina no calor da “terra da felicidade” (onde está?). E tudo soa harmônico, difícil até mesmo identificar o que é de mistura e o que é de fato, uma tradição secular. Cria-se agora aos nossos olhos uma nova tradição, e não como traição aos preceitos, é melhor se agarrar a tudo o que há por ai (de bom, claro!).

Os de religião protestante abominam. Superiores em sua fé, abortam qualquer idéia de respeito e miscigenação, com raras exceções, mas bem que em suas sagradas epopéias em templos luxuosos (desculpem qualquer sinal de ironia), realizam sim, rituais totalmente sincréticos. Descarregam seres de outros seres e até, usam de elementos como sal e água pra benzer (?), na falta de originalidade (ver texto abaixo) busca-se imitar o que é sucesso!

E por mais que iconoclastas sejam, muitos desses sentem arrepios ao ver certos qüiproquós arrebanhar e “salvar” tantas pessoas. Libertam-se ante suas vestes longas e censuras nos beiços de lado e testas franzidas, mas ainda que não admitam, há sim um quê de balaio nesse sacro-santo babado.

E os de cá, que querem mesmo o que é bom e que faz bem (nem sempre andam estes juntos), louvamos (não é bem essa a palavra) a tudo aquilo que acreditamos, seja lá de onde vêem! Ai caímos na igreja e rezamos em eucaristia, saímos num templo pra tomar um passe e logo ali, na porta, um banho de pipoca e folhas em riste pra sucumbir o que é ruim nos aguardam. Quer proteção maior? Melhor ser assim, sincrético do que muitas vezes, olhar para um ponto ao longe achando que é luz e acabar sendo o reflexo maquiavélico do Sol sobre um reles
vil metal!
Ah! Sou de Obaluaê (imagem de cima) com Santa Marta (imagem de baixo), e muitos outros me cercam. Salve Deus!

Cada melancia no seu pescoço!


Cada um tem a sua forma de se destacar, seja por bons motivos, maus motivos ou até mesmo, por motivo nenhum, esses os mais interessantes. A forma de se vestir talvez seja o primeiro sinal de alocação de personalidade em meio aos outros, pois assim, como está se vestindo, posso “pré-conceituar” a sua forma de ser. Arriscado, pouco confiável e ainda, superficial, mas fazer o que? Impressões independem de nosso controle. Aquilo que a mim parece exótico, a ti parece comum, banal, e aquilo que para mim é cotidiano, a ti parece anormalidade!

Pois bem, não somos seres individuais imersos em cotidiano coletivo? E onde meu limite acaba pra saber onde o seu está? E como faço pra ser diferente sem chocar você? O que devo fazer pra que sua opinião não interfira na minha individualidade? E o que fazemos com nossas diferenças? Puxa!

O fato é que a cada dia buscamos ser cada vez mais, diferentes! E acabamos por nos igualar, formando “tribos” ou “grupinhos diferentes”. Na verdade estamos iguais. Diferente mesmo é que não somos cópias, e a confusão reside em nossa essência se hibridizar, misturar e na procura de uma individualidade que mereça destaque, juntamo-nos a quem não deixamos atônitos. E a tal pluralidade surge daí, somos seres individuais, formados por inúmeras pessoas, situações ao qual, juntos, formamos o que seria diferente.

O que quero dizer é que somos impares, mas não impar igual a um (algarismo), mas impar formado por vários algarismos (gargalhadas) que deve ser acima de doiss. Sim, um mesmo é difícil, ou você acha que desse jeito só existe você? Talvez sim, possa esse corolário ser uma furada.

Isso não quer dizer que não sejas especial, que pense com sua própria mufa, que tenha sentimentos verdadeiros e pessoais, que no mundo inteiro você sempre será você, mas o fato é que a originalidade é mito criado pra aqueles que crêem viverem isolados. Quer dizer, se quer ser assim, proponho pendurar uma melancia no pescoço e sair por ai. O problema é que ainda assim, corres o risco de achar alguém com a mesma estapafúrdia e pouco original idéia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Mídia e “feiura”, elementos imiscíveis ou impossíveis?



Ontem assistia televisão e me perguntava: As pessoas em suas poltronas se identificam com tais fenótipos? Por que a realidade lá é tão diferente daqui?

Naqueles espaços feitos para “dar uma espiadinha”, todos ali são lindíssimos, pelo menos por fora, e na verdade, transmitem a futilidade pop-nacional que vende, e de horrores, na mídia por aqui. E assistimos, rimos e nos indignamos, mas por outros motivos, por que não por não estarmos ali representados? Cadê a gorda de biquíni na Tv? Cadê a “feinha (o) aos olhos de brilhante, que nunca estão ali, colocados como de fato são, normais e totalmente envoltos na multiplicidade de opiniões?

Quando surgem eles (as), sim, os não tão belos (as) são ridicularizados (as), e apenas quando possuem na garganta, lâminas afiadas, impõem-se como lindos sim! Inteligência me parece menos perecível do que as fuças... Que digam os “botox, pilins, máscaras e repuxos” que existem e arrebatam milhões (de reais e de pessoas).

A questão também é que o julgamento da “feiura” quase nunca é pessoal, e sim daqueles que de fora observam, mas também, nesse caso auto-estima é ingrediente salutar! Se ainda assim, o convencimento vem pela “lourice e branquitude!”, me desculpem, mas não são essas características promessa infalível de beleza! Aqui abro a campanha, que julgo ser reflexiva e também higienizante: valorizemos a beleza interior, repleta de badulaques e modismos que enfeitam e agradam. Aqui coloco sugestões: opiniões coerentes, bons livros lidos, respeito ás diferenças e opiniões, valorizar família a o outro enquanto sujeito e igual, falar palavras sinceras e cultivar amigos, talento para o que se propõe e senso de aprendizado e ensinamento... Não é lindo ter pelo menos alguns desses elementos? Eu acho!

Colocam então os lindos (muitas vezes discutíveis) talvez na intenção de não agredir a elite acostumada com cútis maravilhosas... Oh, que pobreza, queremos o povo na mídia, lindo de rosto ou não!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Consultou o oráculo de Trofônio...



Trofônio ou Trophonius foi um hábil arquiteto, construtor do Templo de Delfos. A caverna onde foi sepultado era célebre pelos seus oráculos. Os que consultavam o oráculo de Trofônio ficavam melancólicos para toda a vida. Desta forma, criou-se a expressão proverbial entre os gregos: Consultou o oráculo de Trofônio ou Saiu da caverna de Trofônio, para designar uma pessoa taciturna.

Sendo assim, utilizar-me-ei de minhas melancolias Trofonianas para me reportar à infância. Será que têm os outros a mesma chance em que minha geração teve, de possuir infância? Sim, essa mesma de subir em árvores, correr atrás de pião e pipa, correr e se esconder, assitir a desenhos animados recheados de inocência e sair na rua com mais calma e segurança. Vejo agora crianças presas nos playgrounds, computadores, condominios e às vezes, saem em bucsa de conhecer ao menos um pouco a vida real. Assistem a desenhos animados repletos de violência, jogam através de lan houses e nem se conhecem e nem sabem o valor de escrever um diário e ouvir uma boa história.

Ainda mais Trofoniano é perceber que o rumo parece não querer olhar pra trás, e o futuro, esse sim parece rejeitar a infância e já impor um senso adulto a essas criaturas que já nascem de olhos abertos e pele nada inchada. Mas mesmo assim, ainda acho que essa avassaladora modernidade deveria ser repelida por nós, ao menos nesse sentido. Lembremos às crianças os valores que nossos pais, mães, avôs e avós nos passaram e que ele “dèmodès”.

É a hora de pensarmos que antes, tudo parecia futuro, e hoje, nada mais respira passado! O futuro tornou-se esse filho sem mãe e o passado, chora pelo filho que talvez, não tenha ouvido seus conselhos, e esquece-se que somos frutos e não invenções, e os frutos só surgem de plantas já adultas, somos sim, resultado de uma série de fatos, correlatos ou não, mas que encadeiam-se e precisam às vezes serem mais valorizados. Sim ao futuro novo, porém, não ao futuro inventado. Sim ao passado enquanto lição. Não ao futuro como alucinação decorrente das mentes rasas como um píres, que projetam a chamada sociedade contemporânea.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

"Levada por seus piolhos, Suzi vai 'pro céu virada na estrela que pula'”.



Esse título retrata um trecho de Macunaíma, de Mário de Andrade. Aqui não se trata de análise literária, mas de relembrar o quão pitoresca é nossa nação cultural brasileira. Isso tudo onde, com alguns traços xenofóbicos, ainda procura em lampejos de além mar, verificar sua alma mais pura e límpida.

E então, lembro aqui de seres, ou de extra-seres que povoam nosso imaginário totalmente tupiniquim, e que ainda que faça força pra evacuar, saem ladrilhos de rubis e turmalinas no lugar de essência vital oriunda de nossas tripas. Onde estamos? O que somos? Quem somos?

Somos seres que pulam de um pé só com cachimbo e que andam em ventanias, formando redemoinhos, que enfeitiçamos ao som da temida Iara, que tememos o boitatá e que rodamos alegres ao titubear do boi-bumbá. Gente que saúde nas sextas-feiras o Oxalá e que nos murerês vemos duendes e fadas. Temos a Potira e o Pai José e por fim, ainda dizemos que Deus, pobre coitado, é brasileiro.

Isso sim é a brasilidade envolta em si mesma. Isso mesmo é ser brasileiro respeitando seus armengues e seus capengues, porém, percebendo, que melhorar não é trazer de fora aquilo que de nós, podemos solucionar. E como Macunaíma, com humor, recebamos essa cultura estrangeira. Mas façamos como a nobreza de lá: escolha muito, cheire de tudo, experimente pouco e digira quase nada. E o que vem daqui, por mais que deteste, pelo menos valorize.

Rebucetè em meio ao puteiro baiano


Desculpem se choco com as palavras do título, mas é que Salvador cada dia mais, torna-se celeiro de confusões aos quais nem os búzios enxergam sua lógica. Imagina só, pular carnaval jogando flores para a “pobre” Iemanjá! Carnaval agora também invade o espaço religioso, que mesmo sincrético, em nada tem a ver com o carnudo Momo de cada ano. Por que será? Por que essas miscelâneas culturais, misturando nesse balaio de gato, festas tão diferentes? Já que somos uma “Localidade” de muitos festejos, que pelo menos sigamos sua lógica já secular e respeitemos os direitos dos adoradores e admiradores.

E ainda, tem a lavagens, enxágües, bênçãos e feijoadas sempre VIP, cortejos e caminhadas, tudo nesse belíssimo mês de Janeiro. Ninguém mais sabe o que se comemora. Se é que comemora alguma coisa. Daqui a pouco o caruru de Santa Bárbara será ofertado no Dique do Tororó pra Oxum, e as pipocas de São Lázaro servirão pra juntar com as balas de brinquedos de Cosme e Damião. E ai, o maldito “mito da preguiça baiana” chega ácida e corrosiva: pra ir a tudo, difícil mesmo é trabalhar!

Tenho cá uma dúvida: Iemanjá vai buscar seu presente no fundo do mar de Abadá? Leve ela então mamãe sacode e um isopor de bebidas pra agüentar o tranco, pois vai ser muita gente! Aquela muvuca tresloucada gente ensandecida, confetes e serpentinas pra Momo e Alfazema pra Iemanjá e ainda, a dos Filhos de Gandhi. No fim das contas, o ano acaba mesmo diminuindo a cada dia, as manifestações populares. Logo veremos, algo mais inusitado! Pulando São João, trazendo nas mãos o pão de Santo Antônio e pulando a fogueira de São Pedro. Claro que com o trio elétrico flamejando com axé e forró e ainda, com bandeirolas de papel de seda, trazendo slogans de marcas de cerveja e empresas de telefonia móvel, e ainda, os números dos partidos políticos e anuncio do próximo Reality Show na Tv.

Por fim, no meio desse puteiro cultural hibridizado e com sérias crises identitárias dou uma dica: Faça um “pacote festas populares”, leve alfazema, espelho, abada, pipoca, fitas e contas do Bonfim, carregue seu isopor de cervejas e na duvida, reze catolicamente e se ajoelhe “candoblelisticamente”. Só um cuidado: agradeça sempre à entidade certa.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

“Politicismo” à prova do Realismo


Indefectível! Infalível! Revolucionário! Extraordinário! E quem disse que pra ter ideologia política é necessário raciocinar? Quem disse que a reflexão é premissa básica para levantar bandeira e proferir discurso? E ainda, quem ordenou acatar tudo aquilo que os tais Partidos Políticos dizem como verdade Universal?

Parece que a lavagem cerebral é perpétua diante de tanta massa humana envolta e absorta nos discursos de uma minoria “intelectualizada” que manipula e coopta seres de pouca sensatez, em troca de cargos e dinheiro, naturalmente pra si. Esse “politicismo”, me perdoe essa palavra estranha, mas é o que chamo de fanatismo político, permeia nosso cotidiano através do tal discurso: Esse é o caminho!

Calma ai! Vamos debater mais. Refletir mais ainda. As decisões não podem ser assim. Não, não é necessário! Já existem aqueles folhetos que dizem tudo. Os horários políticos na TV então... Eu quero é fazer JUS ao meu Partido! Ele é a luz para os nossos problemas, a solução contra magnatas e corruptos sempre de plantão.

Mas o que dizer desse País que os Partidos nada mais são que trampolins para a vitória? Onde a dança de políticos nos partidos que oferecem melhores condições supera a ideologia inclusive do próprio Partido? Lugar onde as divergências suplantam qualquer marco de criação e até mesmo onde as palavras contidas nas siglas se deparam sempre com os paradoxos dos discursos? E interessante é ainda visualizar coerência onde não há alguma.

Importante mesmo é pegar um desses cometas e seguir a luz! Quer dizer, seguir aquilo que lá vai! Não trato aqui de Iluminismo barato, mas iluminar mesmo alguma cabeça em prol de desenvolvimento, isso está meio difícil pelas bandas de cá!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Rebele-se.

Novo ano, problemas antigos que só, dores insistentes, amores latentes, amigos renitentes, o País doente e o pior, o futuro logo ai na frente, precisando ser melhor. Porém, há novas conquistas, amadurecimento e objetivos, calma e olhar crítico mais aguçado e ainda, atrás está o passado.

Nesse ano, tudo será igual: problemas financeiros, brigas amorosas, novos amigos chegando a antigos se despedindo. Novas festas, aniversários, carurus, churrascos e lasanhas aos domingos, sorvete e água de coco na praia, engarrafamento pra chegar, filas nos bancos e cinemas na quarta-feira, filmes antigos reprisados, reality shows aos montes, lágrimas com acidentes e desastres no mundo, guerras, roubalheiras, eleições. Rebele-se.

Nesse ano tudo será diferente: um novo emprego, nova universidade, mais filmes legais e livros novos lançados prontos pra desfrutar, suco de maracujá com cajá e tangerina, sorvete de papaya com cassis, bolo floresta negra, salário maior, chefe reconhecendo seu esforço, pessoas lutando pela paz, pela melhora ambiental e por um cotidiano político mais limpo. Mais candidatos “confiáveis” pra votar, mais esperança em mudar, celebridades interessantes para acrescentar e uma juventude mais alerta ao que acontece e ao que a ti apetece.

Nesse ano, tudo será a cara do que você quiser, igual ou diferente. O que antes passou, até poderá voltar ou continuar, mas digo a você que o sabor do desconhecido às vezes também vale a pena, mesmo que os sa
bores prediletos nunca saiam de cena, algo nas nossas vidas deve mudar. Rebele-se contra tudo aquilo que não te faz bem, que não te dá futuro e que agora, no presente, não te faz nem um pouco feliz.

Procure uma religião que te complete, uma boa alimentação que te nutra, um amor que te reconstrua e muitas razões pra todos os dias contemplar as dádivas. Rebele-se. Quem se acostuma não caminha, se encosta por ai à espera de mudança, mas ela está ai contigo, à espera de uma ordem. Feliz ano REALMENTE novo!

sábado, 29 de dezembro de 2007

Corrupção e um vale férias pra descansar!


Nós, trabalhadores brasileiros, dispomos de um mês de férias em troca de todo um ano trabalhado, labutando pra descansar apenas um doze avos do ano. Pois bem. Nossos políticos, ao qual a atividade laboral é imensamente discutível descasam três meses do ano, enquanto nos nove restantes trabalham se muito, quatro...

E ganham salários exorbitantes, pleiteiam demandas que raramente atendem o desejo popular e ainda, conseguem arranjar motivos para serem corruptos, e iniciam a chamada politicagem faceira, que nos tempos de hoje, já perdeu até a cara e a vergonha. São milhares, ou milhões de reais envoltos em concordatas e degenerações, onde nós, pobre povo colonizado, só sabemos da mínima parte. O pior está embaixo dos tapetes.

Estarão eles na Europa, nos “Estates”, em Fernando de Noronha. Gastando as buchas com direito roubado e não suado, vendendo saúde e proibindo a população de uma dignidade ao qual merecemos e queremos. Mas é claro que a corrupção aqui não é banida e nem justiçada. Quem seria louca de matar a galinha dos ovos de ouro? É um país canalha mesmo! Bem, acho que hora de tirar férias... Esse país me cansou, o problema é que não devo ler jornal, revista ou televisão. Posso acabar me aborrecendo.


Em tempo, antes que a Companhia Aérea cancele minha viagem. Ser político é um ato de fé. Fé nas suas convicções, nas suas aprovações e nas suas mitigações. O povo? Ah, que nada. Quem é o povo?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Devaneio de um saudoso ser humano


Acabei de ler essas palavras de uma celebridade: “Como sou uma cidadã do mundo, aprendi que saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa”. Estranho ouvir isso, de uma pessoa que julgava ser pelo menos sensata. Parece, através de suas palavras e do contexto (ela está saindo de um famoso programa de tv) que os sentimentos são selados a partir da criação das palavras... Saudades então só existe entre os pobres colonizados que formam o País Brasil?

Ora, sem medo de me tornar parnasiano, não é por que viajo o mundo e conheço deveras suas cicatrizes e esquinas dos cotovelos que posso negar a existência de um sentimento, diga-se de passagem, grandioso, doloroso e bonito. Quer dizer que saudade não existe?

Quando as pessoas que amamos se afastam, o que sentimos? Quando perdemos alguém que amamos, o que sentimos? De momentos felizes e carinhosos, que passaram e nos marcaram, o que sentimos? Objetos que um dia nos foram importante e que por algum motivo se perderam, o que sentimos? Talvez, devamos ressignificar o sentimento, porque nenhum outro lugar do mundo caracteriza esse sentimento? Ou deveríamos ressemantizar e chamar de “dor da perda”, “vontade de ver de novo”, “desejo de reencontrar”.

Faça-me uma garapa! Parece que conhecer o mundo torna algumas pessoas bestas e simplórias. E lhe digo com o ranço de quem se decepciona: Sinto saudades do tempo em que o mundo era do tamanho que ele realmente é: grande. E as pessoas eram senão mais humildes, porque se sentiam do tamanho que de fato são: pequenas.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Víbora do Gabão


De trevas e ressurgimentos magnânimos, nada mais nos corrompe do que nossos próprios anseios e fraquejos, do que nossas embolias e letargias, do que nossa própria confluência ao confuso missionário autoconhecer. Nos destruímos, reconstruímos e novamente, aniquilamos. Muitas vezes em busca de perfeição e em outras, por sermos deveras, predadores de nossa própria extinção.

Laboriosas batalhas onde, a vitória é o ressurgimento de novos paradigmas, de novos cataclismas e de novas feridas putrefatas apostemadas que jamais se fecham. Parecemos buscar limites e concessões e onde menos devemos, mais desbravamos pra depois perceber que aquela guerra era senão desnecessária, pelo menos inútil, em outras vezes, aquilo foi importante, transformadora. Surgem mais cicatrizes e hematomas. Somos uma teia de marcas da vida, de sanguinolência e falsas percepções, de loucuras em meio a decepções.

Às vezes, de uma saga vitoriosa, fechamos algumas marcas, outras ainda persistem. Amadurecemos e nos apercebemos, conhecendo o nosso imago pueril, a nossa beleza em meio a tantas oscilações. Os outros inimigos existem, mas não importam, somos algozes de nossa própria paz interior. E o que fazer para minorar os efeitos desse corrosivo? Bem, complicada a questão. A única maneira de reduzir os danos é não repetir batalhas, não cultivar deslizes e valorizar as vitórias. Persistência nesse caso é fundamental, pois o “inimigo” pode surgir a qualquer momento, sem necessitar de um chamado. Tal qual a Víbora do Gabão se alimenta e se refugia, a espera de um novo momento propício, ou seja, sua fraqueza. Sempre faminta fica a espreita, aguardando, sorrateira. O que é salutar é que depois do ataque, podemos perceber que amadurecemos um pouco, nos machucamos muito e que esse é o mais natural e emblemático sentido da vida: lutar sempre!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O fim sem um ciclo... Ou seria um ciclo sem fim?



Nesse ano, o ano do Porco (leia Horóscopo Chinês), muito girou em torno do aquecimento global. Instâncias de debates, manifestações e decisões se misturaram ao disse-me-disse, ao desencanto, ao maniqueísmo e ao discurso fácil. E poluir significa enriquecer, e enriquecer não há argumento que negue, ser esse motivo, mas relevante que qualquer outro.

Existem sinais claros para mentes obtusas compreenderem que algo está errado. Calotas polares, chuvas torrenciais, mudanças de ciclo de migração de animais, temperaturas ofegantes, enfim... A verdadeira loucura, ou para melhor dizer, confusão. Nesse ano do porco, muita coisa surgiu mais agressiva, menos ostensiva e muito, muito mais discursiva. Vamos despoluir! Pensem nas focas (Ou seria crianças?) de Hiroshima! Sofram pelo Tambaqui (ou aqui seria Haiti?)! Menos emissão de fumaça, parem de fumar! Sim ao rodízio, deixem seus carros na garagem, andem de ônibus velhos que mais parecem chaminés a “barrufar” nuvens cinzas.

Há um contra-senso em meio a tanta ‘porc’aria, em meio a essa falácea ambientalista de poucas medidas eficazes, onde sinaliza que esse ano do pobre Porco significa não sujeira e sim, a força de quem pode mais, de quem argumenta errado e ainda sim prevalece. Ano de mais poluição, de temperaturas mais altas, de mais preocupações. Ano que vem? Ano do rato. Vixe! Imagina se os poderosos subverterem a máxima do “Quem mexeu no meu queijo?”. Acho melhor que os litorâneos preparem seus barcos e comprem roupas de lã. Não há o que fazer! Aliás, há muito, mas a culpa sempre é do bicho. Aqui, pobres seres “irracionais”. Nós é que raciocinamos. Será?

O verdadeiro sentido... Ou pelo menos o mais adequado.


Não trato aqui de questões epistemológicas, de alegorias católicas ou de absenteísmo cristão. O sentido do natal é plural, diverso, controverso e muitas vezes, deplorável. Dentre muitos sentidos, a fé renovada me parece legítima, visto que muitas vezes, esquecido durante todo o ano, as alturas ressurgem como vedete de glorificação, de emoção e de reconciliação com votos de fé dantes repugnados. O que antes era esquecimento ou quiçá, lembranças momentâneas em desesperos, torna-se nessa época, a matriz geral dos pensamentos, reclusas e pedidos... Por favor.

Outro sentido relevante é o da caridade, tentar minorar efeitos egoísticos e amenizar tanta concentração de riqueza em prol de pegar uma pequena parte (muitas vezes) e dividir. Claro que aqui subtrair, significa jamais se desvencilhar daquilo que é novo, o usado sempre vai na frente. Há também casos em que a entrega é total, e o mais precioso dos sentimentos são doados, esmiuçados, verdadeiras ações que mesmo que seja “fullgas”, em muito ajudam aqueles que aguardam, pelo menos, uma mão amiga.

Por fim, o sentido mais ressignificado: o presente. Não que seja ruim presentear, mas a corrida em busca de presentear materialmente, suplanta qualquer idéia de que se não pode, outras formas de presentear existem. Cartões de crédito, cheques-borracha, economias mensais absurdas, empréstimos e mais empréstimos... Natal sem fé, sem caridades, tudo bem. Natal sem presente? Jamais. Que maravilha então as liquidações, assim posso presentear mais gente. E te dou, ornado com belo papel e laço de fita. Bom mesmo é quando por dentro disso estão entranhadas a fé e a caridade.


Como isso é possível? Lembrando que podemos dar a um desconhecido algo de bom e que será importante e ainda, que maior que nós, aqui, reles criaturas em busca de sentido nessa vida, está alguém que ora nessa data nos faz lembrar que nesse momento é preciso aprender que o próximo é todo aquele que precisa de ajuda, não necessariamente de um presente.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Azaléia Grená


A Vida parece mesmo ser uma roda vida, transgressora, modificadora, alienadora. O motivo de vivermos sob a Terra parece muitas vezes inócuo, irrelevante, sem sentido, na verdade é o sentido das coisas, o fatale para a vida, a emoção guardada em silêncio. Isso pode estar contido (sem alusão aritmética) nas pessoas, objetos, seres vivos em geral. Poder estar na observação, na reflexão, na emoção, na modificação.

A Vida parece mesmo ser uma roda viva, incessante, instigante, mutante. E por mais que busquemos respostas, o ponto de vista depende de onde estamos, como estamos e com quem estamos. Como um alúvio coberto de incertezas, naufragamos em meio à chegada no horizonte e lá estamos, apesar de tudo, seguros. O mais incerto é o mais secreto sonho que se torna palpável e concreto, inacreditável.

A Vida parece mesmo ser uma roda viva, sentimental, normal, sexual. O que nos movimenta senão o amor, a esperança e a fé... E mesmo que tudo magneticamente nos pereça, a batalha está justamente, nesse poder de não sucumbir, de sair e prosseguir. Não adiantam as filosofias copiadas de ocultas sensações, o que vale são as suas deflexões e sensações, seus meios e o seu próprio fim.


A Vida é mesmo uma roda viva, letal, seqüencial, genital. Útero incessante de possibilidades, de maldades, vicissitudes e similitudes. Repleta de dores, horrores, dissabores e esplendores. A Vida é o ponto de vista de um ângulo, obtuso, agudo ou ausência de um. A Vida é ter encontrado, felicitado e valorizado. É destruir e ter força de reconstruir é desistir e logo depois conseguir, é desejar e muito em breve possuir. A Vida é uma roda viva, pulsante... Quer sentir? Coloque firmemente a mão no seu peito... O que é isso? Você, sua vida, suas paixões e suas emoções. O que fazer com isso? Distribua a quem de direito é, se assim não fizer, em nada haverá sentido em tudo isso.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O bêbado trajando luto...


Estarrecidos, olhamos embriagados esse País sem escrúpulos estar entre os seis, em quesito economia... Engraçado. Desconfortável. Instigante. As arrecadações pertinentes e suficientes (?) são oriundas do meu bolso e também do seu, ainda, estatais “privadas” e privadas “estatais” que enchem os cofres públicos à revelia do bom-senso e da transparência. Mas tudo é tão popular...

E reflito sobre isso ébrio, tomei apenas meio copo de água oriunda daqui da torneira, que de tão cara, valoriza-se mais que garrafa de água mineral. Água pública, advinda de empresas estrangeiras, que comandam da fonte à foz todo o seu percurso deveras lucrativo... E pago impostos e pago impostos... Valorizar o quê, se já vem valorizado? Valorizar o que não o é, ou seja, povo sofrido, recursos naturais exuberantes degradados, consciência popular manipulada e sobremaneira, ode àqueles que ainda conseguem ter nesse mar revolto, algum tipo de sanidade. Isso sim, controverso, pois de tudo pode se esperar, até mesmo, a rejeição de desejos de uma sociedade que clama por atenção, mas uma atenção ao nosso discurso e não ao que julga ser o nosso discurso sem ao menos, ter nos ouvido.


Parece muito, tudo isso um circo mambembe, que não passamos de loucos, bêbados, insanos, que precisam de metas, queiramos elas ou não. Então, paguemos impostos, soframos violências das mais diversas, conheçamos a realidade maquiada, mingüemos a essa realidade torta e ambivalente. Melhor daqui sair, e procurar refúgio em Cuba. Ah, sim, que até tem “líder pra se aposentar” , como se este ou esse aqui, fossem assalariados e pagassem o alto custo de ser cidadão. Certo era aquele que bêbado, vestia luto... E ainda conseguia em um coração puro e forte, lembrar Carlitos... Nem devo ir a uma mesa de bar, é capaz de beber tanto e passar a compreender a realidade como ela é. Me deixe sóbrio. Ou será o contrário?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

P de Permanente. P de Provisório. P de Perdeu. P de Povo!





Quem assistiu o “rico” debate dos senadores acerca da CPMF, no mínimo, se divertiu sem pipocas e pouca luz! Desgastante, hipócrita e estarrecedor momento nacionalista, pró-anseios políticos partidarista. Os que dantes fundaram o P de provisório e que permaneceram... Agora atacam os que pegaram o permaneceram no meio e ainda querem que permaneça até 2011... E nada mais inacreditável do que um bom cara-de-pau para argumentar.

Os discursos pró-povo que paga o imposto versus povo que é legitimado pelo mesmo é confuso, pois não seria anormal pensarmos que tantos impostos já pagamos e que nada de claro em relação existe acerca de benesses de um povo que trabalha e arca, sem sonegar.


Mas voltando ao circo, muitos senadores lascaram o verbo, às vezes, a língua portuguesa inteira, para dizer que nada mais “impáfio” que a tal cobrança, e o povo vai se alegrar com a ausência do imposto, os alimentos irão baixar... Mas nesse caso não é o ICMS que pesa? Fiquei confuso. E mais lindo do que isso é o desejo de que a soberania popular é a única deixa pra que isso deixe de existir... Oh... Reforma tributária já!

E aqueles que acreditam no P de Provisório por mais um pouco de tempo, dizem que a Saúde vai se beneficiar disso. Mas não foi criado pra colaborar com programas de saúde e a efetividade disso é totalmente discutível? Agora mudaria? E o Governo se vê tal qual barata em dia de faxina, louco pela perda de uma fonte pra gastos que deveria ter tido a essencialidade da etimologia do P ter sido elaborada como Permanente e não Provisória. Eita País de gente atrapalhada!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Crepúsculo de minha vida...


Depois da aurora, do amanhecer e do iluminar, é necessário cumprir o ciclo, com o crepúsculo, o entardecer e o apagar. E mesmo que não seja uma analogia nem uma tentativa dialógica de unir extremos, se trata de uma tentativa de perceber as diferenças. Afinal, curtir a vida é um fato, saber que ela é às vezes inóspita e também de ciclo precoce, é o óbvio, acho que algo passa despercebido: o final constante.

Protelamos muitas vezes na esperança de um futuro, que é movediço. Ensaiamos atitudes na expectativa, como se a chance e a hora certa fossem chegar. Será? Porque achamos que o tempo é o senhor da razão se esse dito tempo é mais subjetivo do que a própria razão? E essa idéia de que há o momento certo não rompe a idéia de que o tempo voa e que pra nascer basta estar vivo? E porque nos moldamos a isso e esperamos? Qual o motivo de não viver intensamente agora (claro que sem se autodestruir) e aproveitarmos esse filete que temos antes de se apagarem as luzes?

No fato acho que no confiamos em algo surreal, as possibilidades! E por mais que as probabilidades sejam das ciências exatas, creio que não seja muitas vezes sensato esperar. E se você discorda de mim, veja como muitas vezes se pega dizendo que o tempo passou... Perdeu tempo! Esperou! Achou melhor depois! E se fez logo, se achou que era agora, se pensou que era a chance e por algum motivo não deu certo é circunstância, mas é confortável e confortante. Tentou. E por mais que o Sol sempre saia, todos os dias, você pode um dia não ver isso. E depois de perceber que não cedeu ao momento de vislumbrar, amanhã já poderá não vê-lo, as nuvens podem estar no céu, a lua pode chegar mais cedo ou você poderá ir tão logo... Catastrófico? Realista.

Aurora de minha vida...


Dê-me a chance de algumas palavras mais doces। O mel de meu coração, que muitas vezes assemelha-se ao fel, agora deseja sucumbir frente às lembranças। Você percebeu que a vida é tal qual raposa e quando a percebe ela já te levou, tendo o tempo como aquele que te distrai e as lembranças como aquelas que te iludem.


Mas como viver cada minuto? A vida cotidiana e moderna te empurra para o imediatismo, para o essencialismo e o pior, para o determinismo: é preciso! E mesmo que não seja preciso, tudo na verdade te ilude e contamina, e a cada dia perdemos um pouco de nós em busca de um bem coletivo (?) onde o final é o seu fim, solitário. E aquela aurora de sua vida antes, tão acariciada, passa em sincope de tempo a ser finada, e o incrível é que nem aproveitou.

Na verdade não tenho nenhuma solução pra esse dilema, afinal, todos passamos por isso sem ao menos perceber que a cada dia deixamos pra trás as mil oportunidades de ter feito aquilo, e agora é tarde! E depois ficamos nas lamentações comuns de quem se arrepende, falando de um passado não vivido, de um futuro escorrido pelas mãos e de um presente sem perspectiva, já passou. E ai, aquela célebre frase, dos tempos que não voltam mais, torna-se argumento pra dizer, que o oco daquele passado poderia ter sido tapado por um pouco de senso de realidade. O futuro não existe. E nada pior do que, aquilo que nunca foi ainda ser desejado pra voltar. Saiba que agora, é sua hora, depois, terá sido a hora que você perdeu ao menos que saiba o que quer, e querer nesse caso é fator de uma última necessidade. Perdoem-me aqui o determinismo.

Tempero baiano em meio ao nosso cotidiano.




O que é que a Bahia tem? Perdoe-me a falta de criatividade em mudar a letra de uma música de Caymmi, mas hoje me pergunto acerca de nossa identidade cultural. Aquilo que se diz Bahia nas telas de tv e anúncios de site é a Bahia de lindas praias, de uma democracia racial que só eles enxergam, do farol da Barra, Pelourinho e carnaval com trio elétrico, de baianas coloridas e do aroma sinestésico e anestésico do acarajé.

E a Bahia do sertão, das secas, da falta de água, do Rio São Francisco, do falido Cacau e do “próspero” algodão? A barragem de Sobradinho e os “filho
s sem pátria” das áreas rurais? Onde está a Chapada Diamantina, o Jorro de Tucano e a caatinga de Senhor do Bonfim? Este dito discurso de baianidade só agrada mesmo aqueles urbanos soteropolitanos e alienados quanto ao espaço total de nosso rico e belo estado.

Bom mesmo é sair daqui do Estado e ouvir o velho discurso do “de fora”. A Bahia da preguiça, da malemolência, do gingado e da capoeira, da fita do Senhor do Bonfim e da Lavagem de 2 de fevereiro. O finado ACM, a louca Ba x Vi e ainda, as ladeiras esgarçadas e a pobreza eminente. Onde está a Bahia da do quiabo e dos candomblés? Cadê a Bahia dos atingidos por barragens e das centenárias comunidades quilombolas? Onde está a beleza e atratividade do sertão e o dia de São Lázaro na pauta de festas tradicionais? Cadê o carnaval de Periperi e Cajazeiras e as humilhações de cordeiros na Barra-Ondina? Onde estão expostos os desagrados dos camarotes e a mercantilização de uma festa antes popular e atualmente, não muito? Desconfio muito disso que dizem por ai, acerca do ser baiano. Vai até o interior do Estado e pergunta se esse tempero que colocam nesse prato agrada de fato a esse povo tão bom de garfo!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Malícias de um populista de milícias.

Minha gente, em meio à greve de fome e a um Congresso de Ciências Sociais e Barragens ocorridas aqui em Salvador, a questão dos atingidos por barragens e o tal crescimento nacional parecem ser assunto de primeira página. Mas qual o papel de nossas humildes pessoas, atingidas por violência urbana, falta de saneamento, hospitais precários e escolas sucateadas? O que o Rio São Francisco e as pessoas beiradeiras desse rio têm a ver com nossas vidas?

Imagine que ouvi nesse congresso que mencionei, um agricultor, morador da beira do da barragem do Sobradinho dizer que ele não tinha luz! Quanta obscurescência nesse país. Aquele mega-empreendimento que desalojou pessoas de seus lares e colocou (muitos deles) pra bem longe dali parece mesmo ter tido um endereço próprio: o desenvolvimento das grandes indústrias e latifundiários. E agora? Transpor um rio pra “dar” água a quem tem sede... Pobre e assoreado rio, que em sua fraqueza histórica de degradação e força poética de uma imensidão natural, tem agora nas suas veias e entranhas a missão impossível de fornecer o que quase já não possui: ÁGUA.

E um governo de discurso populista parece achar coerente toda essa estapafúrdia obra de levar água pra quem precisa, havendo outras formas de captação que não tão danosas e mil outras argumentações pra que todo esse projeto fique como tantos de importância nacional e que se escondem nas gavetas de engravatados. Será que a idéia de revitalização soa sem sentido nesses ouvidos operários? Será que um povo que sinaliza o seu desespero e a sua marginalização não corresponde a uma realidade que deve ser considerada? Será que os estudos de Universidades e Instituições de Pesquisa não demonstram o que se passa nas margens e profundezas do rio? O que me parece é que nessa milícia com discurso de desenvolvimento, até aquele tão populista parece na verdade que não corresponde ao seu papel mais esperado e sim a uma idéia de que com malícia tudo se conquista!

sábado, 1 de dezembro de 2007

Espectro de luz translúcida.


Quando não sabemos o que temos, mas isso que temos é tão vital só quando perdemos, ou mesmo só quando reconhecemos é que então conhecemos aquilo que dantes já tínhamos como vital e especial. Quando não sabemos o caminho, e mesmo que tudo pareça confuso como um redemoinho, seguimos em frente sem saber ao certo o resultado desse destino.

Quando nos tornamos opacos, invisíveis e irreconhecíveis a nós mesmos, confusos e algozes de nossas próprias sortes o que nos resta é virar o avesso e compreender o tecido que pode estar esgarçado, pois jamais fora cuidado. E por mais que a transparência seja na verdade, apenas a possibilidade de imaginarmos com mais clareza, ver de fato é muito difícil. Na verdade, os nossos olhos precisam observar, e quando isso não é possível, ele cria ao seu bel-prazer aquilo que mais o acalenta.

Mas a lei da vida é mutante, metamorfose a todo instante, renitente e ao mesmo tempo expoente, educadora e propiciadora. Imagine-se à beira de um precipício, prestes a pular, com poucas chances de sobrevivência caso pule. Não podes mais voltar. Só há uma chance de sobreviver, imagino eu: Se jogue. Caia. Mas nesse percurso diminuto em segundos só faça uma coisa. Deixe à mostra sua luz translúcida, revigore seus desejos e descarte seus erros. No exato momento da queda, aquilo que ali sobrará será na verdade, o seu EU muito melhor do aquele que havia pulado. E por que eu disse que isso seria sobrevivência? Certamente passará alguém por ti, e verá aquilo que sobrou, e se encantará. Somos sementes, possíveis de serem replantadas. Aqui não falo de ressurreição e nem de reencarnação. Falo de nova possibilidade de vida fazendo tudo diferente, crescendo e sendo pleno, falo do que seja um grão, que “tem que morrer pra germinar”.

domingo, 25 de novembro de 2007

Ainda que me jurem...


Onde estão os significados da vida que não estão expostos em Outdoors pela cidade? Onde estão os pressupostos de vida em comum, de comunidade e de solidariedade, que não estão grifados nas propagandas de rádio, tv, revistas e jornal? Por onde serão que andam os instintos de comunhão e colaboração que não se ensejam nos papéis aos montes que desempregados funcionais nos entregam nas ruas, nos carros e dentro de shopings?

Na verdade o que se vê ai não é a pulsante vida, tampouco a essência desta, é na verdade a ressemantização de uma palavra chamada pobreza, que sob a égide do ócio cultural acabou tomando conta de um espaço fadado ao bom senso e a aglutinação de pensamento, ainda que discrepantes entre si. O que vemos ai, aqui e por todo o lugar é a demonstração de quão rasa e infunda é a existência humana, onde até a soberba parece sumir em meio aos motivos torpes e imediatistas de uma sociedade inútil.

Ainda que me jurem tudo isso ser verdade, ainda insisto e acredito que na verdade as coisas podem melhorar, tomar sentido coerente e por si, tornar aparente o que sempre pareceu ser óbvio: o senso de compromisso consigo e com o outro, o aprofundamento da existência, não para baixo (aqui nenhuma ode ao inferno), mas sim algo elevado (nem aqui ao céu), talvez, a hegemonização de uma sociedade justa. Não sei, hoje acordei sem enxergar sentido nas sociedades, até o sadismo de assistir tele-jornal e ver mortes e roubalheiras, associaram-se a um programa de turismo que mostra Versalhes e o fraco time de futebol ganhar de 2x1. Quanta inutilidade.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Oba, a coisa ficou preta!




Se deNEGRir, tem algum sentido racista por trás disso, penso que seria melhor em pensar, em outras obviedades de uma sociedade tão esquizofrênica e surreal. Quando se fala que a cor negra é a cor do pecado, não se preocupe em perceber nessa frase a clareza e de um racismo engendrado. Por que pecado? Quando pecar foi bom? A não ser que ressignifiquemos tal expressão e tomemos a semântica PECADO agora como “coisa” boa e natural. Como não somos de todo católicos, preferível não comentar.

Em dia de uma consciência, me pergunto se a tal não é de cunho libertador, afinal de fato e direito somos todos iguais e assim como paladar, quem quiser que sinta os seus... Sendo assim, a coisa ficou preta, pois a cada dia, percebemos que cada um se percebe enquanto ser escuro e de beleza própria, e antes que isso se torne uma moda, corra e se olhe no espelho, essa infantaria de modelos pode um dia bater à sua porta e sua cor passar naturalmente e sem traumas como algo fashion!

E agora sem medo de pecar, afirmo de pureza de alma negra que há certas verdades inescapáveis: a cada dia milhões de frases, atitudes e silenciados pré-conceitos pairam em nossa sociedade hipócrita e esbelta, e sinto ainda frases como “fim de um racismo” e “democracia racial” entoando mais o grito de uma turma que deseja que isso seja esquecido, em tentativa de silenciar a verdade de um povo que quer que isso seja lembrado e aniquilado, deixando nossas mãos limpas e não mais pútreas, colocando nossa alma limpa e negra à mostra e não se adequando a uma “alvejância” necessária à sobrevivência, transparecendo pela tez negra aquilo que de fato somos: gente!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Rapsódia.



Desconexo reflexo de um amplexo que me deixa perplexo, e meio sedento confesso que nesse estado em que essas coisas andam, é preferível tomar aos braços a força bruta e esquecer que o raciocínio e os diálogos são frontes de batalha.

Embora se esforce pra seguir o materialismo capitalista deveras egoísta, há certo apego, afinal, seu suor está contido ali, é parte de sua vida e de sua batalha, conseguira comprar aquele lindo alfinete. É seu, por direito! O pior é a inveja ou seria malícia (?), causada nas pessoas, que mesmo sem perceber o que tens, querem aquilo que tem. Isso na verdade não é mero colapso social, é também a vontade de ter! Não se deve andar por ai mostrando seus alfinetes a torto e direita, certamente ficará sem ele, alguém levará. Não temos mais a liberdade de possuir, temos agora que ou desistir de ter ou ter só pra si, quando possível.

Não, que loucura! Temos o direito, acabou a ditadura, ou melhor, a ditadura militar, existe ainda a da beleza, da alimentação, dos preconceitos, mas o fato é que estamos sitiados em nossos próprios sentimentos. Não há mais coragem pra mostrar aquela aquisição explosivamente capitalista por mais que seja simples. E nessa época em que vivemos onde desconfiar é preciso, guarde pra si seus alfinetes, por vezes o “cultue”, o utilize e desfrute do prazer, claro que solitariamente. Nessa rapsódia que é a sociedade, prudência significa inteligência.

Aqui não é possível ter alfinetes, ramalhetes, confetes, serpentes e nem brilhantes mentes, tudo é passível a ser roubado! É um assalto!
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